quarta-feira, 27 de junho de 2012

Imparcialidade Jornalistica é um mito!



Depois do aconteceu com o Jornalista Valdeck Filho, alguém ainda tem alguma dúvida se existe ou não imparcialidade jornalística?


Nesses últimos vinte anos, houve uma mudança de mentalidade tanto em nível profissional como a nível empresarial. No jornalismo baiano não foi diferente, sua estrutura teve que se adequar ao crescimento da cidade do salvador que saiu do provincianismo para assumir ares de metrópole. Neste cenário, as medidas coercitivas exercidas contra a imprensa vem sendo bastante discutida , além disso discute-se também a exigência ou não do diploma para exercer a profissão e se o mesmo ajuda ou não a manter o status quo da mídia moderna.
A fonte de renda de um veículo de comunicação determina se ela é independente ou não, se ela é imparcial ou neutra, se ela sofre ou não influência do poder econômico ou do Estado.Quando se fala de televisão, podemos classificar a rede globo como independente devido ao seu alto faturamento. Atualmente, os meios de comunicação estão mais preocupados com seus patrocinadores e com a busca desmedida pela audiência do que com a função social de bem informar e orientar o telespectador. Daí já se percebe que a imparcialidade fica para trás na pratica jornalística.
O próprio histórico da mídia mostra que a mesma nunca foi imparcial, sendo manipulada não só em períodos de guerras, mas em todo seu cotidiano. As funções básicas do jornalismo (educar, informar, divertir e fiscalizar) não estão sendo desempenhadas no exercício da profissão o que gera um descrédito na imprensa brasileira. Com isso, a imparcialidade jornalística torna-se um mito cada vez mais marcante em nossa sociedade, cabendo ao jornalista atuar dentro da ética e sempre mostrando os dois lados da questão fornecendo ao leitor todas as informações necessárias para que ele mesmo possa decidir que versão ele deve apoiar.
Os jornalistas contemporâneos costumam cobrar a negligência de outros profissionais, mas não costuma apurar suas próprias negligências. São poucos que procuram, dentro do possível, cumprir com seu papel. Dentro possível, porque existem empresas de comunicação que estão vinculadas a grupos políticos, pois a finalidade maior do jornalismo não é mais a sua função social, mas dar suporte aos grupos políticos que a sustentam. Mais de 50% desses veículos ( rádio, emissora de TV, jornais) são controlados por políticos e a outra metade por pessoas que estão diretamente ou indiretamente ligada a grupos políticos.
Na busca pelo sucesso profissional, muitos jornalistas sobre as mais variadas formas de pressão, podem ser levados a praticarem a autocensura a fim de atender as regras ditadas pelas normas políticas,econômicas e sociais do momento. Um exemplo disso, foi o debate de 1889 entre Collor e Lula na Globo, houve uma manipulação  e a falta de uma imparcialidade jornalística visível.Essa falta de imparcialidade não é só no campo político. Que as empresas vetam anúncios que ferem seus interesses  ou convicções é um fato real.Se é legal ou não, é outra questão. Mas dentro desta situação, observa-se que quando um veículo nega, sempre tem um que publica.
A maioria dos brasileiros tem como fonte principal de informação a TV, a mesma acaba sendo responsável pela má informação da população já que é impossível colocar em 20 ou 30 minutos  todas as informações necessárias no ar com seus respectivos e diferentes ângulos. O conteúdo das informações recebidas já chega filtrado e somam-se a informações de outras fontes, deixando assim, de representar a realidade fidedigna. A realidade está cada vez mais distante de ser retratada com fidelidade e imparcialidade, pois os programas na busca desmedida pela audiência estão apelando para a dramatização na notícia e exploração de aberrações como o programa do Ratinho, Se liga Bocão, Na Mira dentre outros.
Apesar de estarmos no século 21, estamos ideologicamente voltando à década de 70, onde qualquer pessoa que queria escrever ia para o jornal fazer um “bico”. As pessoas sentavam e escreviam suas próprias opiniões ( era um jornalismo pessoal e opinativo) não existindo a apuração dos fatos o que afeta diretamente sua credibilidade. Hoje, existe a apuração dos fatos, porém com a não exigência do diploma de jornalismo, abre margem para pessoas sem qualificação e profissionalização escreverem livremente o que bem entenderem, sem seguir o pilar essencial do jornalismo que é a imparcialidade.
Como ser imparcial se a censura econômica está presente e o jornal não pode falar coisa alguma que possa afetar seu anunciante?  A empresa tem que garantir a sua sobrevivência. Essa situação vem se chocando com suas funções de informar (mantendo o cidadão consciente do que está acontecendo no seu meio social mais próximo e fora dele). Neste aspecto, informar também é educar, pois orienta o cidadão a como proceder diante de certos fatos e descobertas científicas. Outro papel da mídia é divertir, oferecendo lazer a população e não mostrando senas sangrentas no horário de almoço. E por fim o papel de fiscalizar, que muitas vezes é sufocado em detrimento de interesses políticos e econômicos como aconteceu o com o jornalista Valdeck Filho que foi demitido por cobrir a greve da PM Bahia , a TV Aratu acatou a ordem de Jaques Vagner. A mídia é um espelho da sociedade, a TV refle o que está acontecendo no Brasil e como pensa e age o povo Brasileiro. Assim, mais uma vez a imparcialidade é tida como um mito no meio jornalístico e social.

Resenha do livro: Imparcialidade é Mito de Sergio Mattos.

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